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sexta-feira, 17 de março de 2017

JOSÉ MANOEL DA SILVA: DAS MEMÓRIAS SOBRE OS IMPACTOS DA DITADURA MILITAR NO AGRESTE PERNAMBUCANO





Por Heitor Lamartine


Em 1964, a ascensão dos militares ao governo brasileiro alterou profundamente o curso da história de nosso país. Seriam tempos em que, a democracia e o desenvolvimento social dariam lugar a “ordem de segurança e o progresso”. Durante os longos 21 anos de Ditadura Militar, os militares deram uma punhalada no seio de nossa nação, que mantêm cicatrizes abertas até nossos dias.
            Seu caráter devastador se alastrou por cada recanto do Brasil, alcançando uma pequena cidade do interior pernambucano. Dentre as inúmeras vítimas da Ditadura Militar encontra-se um conterrâneo toritamense. José Manoel da Silva, conhecido por Zezinho de Manoel da Santa, nascido em 02 de dezembro de 1940, filho do senhor Manoel José da Silva e de Luiza Elvira da Silva, casado com Genivalda Melo da Silva. Serviu nas fileiras da Marinha do Brasil, em fins da década de 50 até 1964, sendo excluído da corporação por participar de mobilizações políticas organizadas por marinheiros. Este caso está correlacionado ao “Massacre da Chácara São Bento” em 1973, na cidade de Abreu e Lima, Pernambuco.
            O cabo da Marinha, José Anselmo dos Santos participante de movimentos dos marinheiros, teve seus direitos políticos cassados e foi preso com o advento da Ditadura, considerado ativista de esquerda. Conseguindo fugir, foi levado à Cuba para realizar um treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, tornou-se integrante de uma das mais ativas organizações revolucionárias, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Porém, preso em São Paulo, foi encaminhado ao Departamento de Ordem Políticas e Social (DOPS) sob a jurisdição do delegado Sérgio Fleury, passando a espionar e delatar pessoas ligadas a Vanguarda. Sua viagem ao Chile teve por intuito espionar as atividades da vanguarda, da qual o cabo Anselmo se aproveitou para incitar a reorganização da vanguarda em território brasileiro. Para tanto, convocou seis figuras de seu círculo de conhecidos em Cuba e antigos companheiros da força militar, dentre eles estava Zezinho.
            Todavia, havia um plano arquitetado pelo delegado Fleury e o cabo Anselmo para executar esse grupo. Sua representação simbólica, marca o combate a qualquer tipo de movimento ou ação que fosse enquadrada como esquerdista ou comunista, sinônimos de terrorismo para o regime em voga. Em janeiro de 1973, inicia-se uma operação de “caça” aos revolucionários, um a um foram capturados pelos agentes da polícia. A época, Zezinho residia em Toritama e realizada práticas comerciais, vivendo legalmente, mesmo assim foi preso e tomando rumo desconhecido. Até que decorreu o massacre dos seis.
            Durante certo tempo afirmou-se que, houve um conflito entre os militares e os revolucionários, contudo, novos depoimentos do agente policial Carlos Alberto Augusto apontam para a manipulação do cenário do crime fazendo nos desacreditar na versão citada. Conforme as informações levantadas em diversas fontes, Zezinho e os demais foram levados para uma granja, que pertencia a vanguarda, onde foram torturados e mortos. Não obstante, Genivalda afirma que após a execução do seu esposo, foi perseguida e presa, vítima de tortura e estupro por agentes da repressão. Zezinho foi enterrado como indigente, comum aos presos políticos, teria seus restos mortais incinerados, mas sua esposa conseguiu retirar a ossada enterrando-a próximo de uma árvore no Cemitério da Várzea no Recife. Seu corpo foi exumado em 1995, sendo trazido para Toritama.
Este breve relato biográfico nos faz refletir sobre a ação política dos toritamenses na atualidade, evocando a necessidade de conscientização histórica, política e social dos nossos concidadãos para efetivação da democracia e equidade social, mediante o preço que 


Referências e sites
Documentos do IML-PE sobre José Manoel da Silva. Disponível em: http://www.documentosrevelados.com.br/repressao/forcas-armadas/documentos-do-iml-de-pernambuco-sobre-a-morte-de-jose-manoel-da-silva/ - Acesso em 17/03/2017.
Ficha descritiva: José Manoel da Silva. Disponível em: http://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/189 - Acesso em 17/03/2017.
Jornal Tempo de luta. Órgão oficial de divulgação da Unidade de Mobilização Nacional pela Anistia (UMNA). Ano III, maio. 1995.
Livro detalha chacina na ditadura. Disponível em: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/politica/noticia/2013/01/12/livro-detalha-chacina-na-ditadura-69785.php - Acesso em 17/03/2017.
Novas e surpreendentes revelações sobre a chacina da Granja de São Bento. Disponível em: http://www.documentosrevelados.com.br/depoimentos-torturas-denuncias-ditadura/novas-e-surpreendentes-revelacoes-sobre-a-chacina-na-chacara-de-sao-bento/ - Acesso em 17/03/2017.
Outras fontes
Linha Direta Justiça: Cabo Anselmo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bmgalEka0qA
Retratação política em Toritama-PE: A volta dos restos mortais de José Manoel da Silva. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1gKlK_bJ1bg

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